segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O julgamento pessoal


Finalmente, a diferença entre a oração e a confissão, pelo que diz respeito ao estado do coração perante Deus, e o seu sentimento moral de aversão ao pecado, não pode ser, de modo algum considerada demais.

É muito mais fácil pedir, de uma maneira geral, o perdão dos nossos pecados do que confessar esses pecados. A confissão implica o julgamento pessoal; pedir o perdão pode não envolver e, em si, não envolve esse juízo. Isto, só por si, seria o suficiente para salientara diferença. O juízo próprio é um dos mais valiosos e saudáveis exercícios da vida cristã. Portanto, tudo que tende a produzi-lo deve ser altamente apreciado por todo o cristão sincero.

A diferença entre pedir perdão e confessar o pecado é continuamente exemplificada no nosso tratamento com as crianças. Se uma criança tem feito alguma maldade, acha menos dificuldade em pedir ao pai que a perdoe do que em confessar abertamente e sem reservas a maldade. Ao pedir perdão, a criança pode ter em seu pensamento um determinado número de coisas que tendam a diminuir o sentimento do mal, pode pensar que, afinal, não havia muita razão para a censurarem, embora seja conveniente pedir perdão ao pai; enquanto que, ao confessar a maldade, faz o seu próprio julgamento.

Além disso, ao pedir perdão a criança pode ser influenciada principalmente pelo desejo de escapar às conseqüências da sua maldade; enquanto que um pai sensato procurará despertar no filho exatamente a convicção do mal, e essa convicção só pode conseguir-se em relação com franca confissão da falta relacionada com o julgamento de si próprio.

Assim é também na maneira de Deus proceder para com os Seus filhos, quando eles procedem mal. Tudo tem de ser exposto completamente e julgado pela pessoa. Ele quer fazer-nos recear não só as conseqüências do pecado — que são inexprimíveis — mas detestar também o próprio mal, por causa da sua hediondez aos Seus olhos. Se fosse possível, quando cometemos pecado, sermos perdoados simplesmente, porque pedimos perdão, a nossa compreensão do pecado e atitude perante ele não seriam tão intensas; e, como conseqüência, a nossa apreciação da comunhão com que somos abençoados não seria tão elevada. O efeito moral de tudo isto sobre o caráter da nossa constituição espiritual e a natureza da vida prática deve ser claro para todo o crente experimentado.

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