Finalmente, a diferença entre a oração e a confissão, pelo
que diz respeito ao estado do coração perante Deus, e o seu sentimento moral de
aversão ao pecado, não pode ser, de modo algum considerada demais.
É muito mais fácil pedir, de uma maneira geral, o perdão dos
nossos pecados do que confessar esses pecados. A confissão implica o julgamento
pessoal; pedir o perdão pode não envolver e, em si, não envolve esse juízo.
Isto, só por si, seria o suficiente para salientara diferença. O juízo próprio
é um dos mais valiosos e saudáveis exercícios da vida cristã. Portanto, tudo
que tende a produzi-lo deve ser altamente apreciado por todo o cristão sincero.
A diferença entre pedir perdão e confessar o pecado é
continuamente exemplificada no nosso tratamento com as crianças. Se uma criança
tem feito alguma maldade, acha menos dificuldade em pedir ao pai que a perdoe
do que em confessar abertamente e sem reservas a maldade. Ao pedir perdão, a
criança pode ter em seu pensamento um determinado número de coisas que tendam a
diminuir o sentimento do mal, pode pensar que, afinal, não havia muita razão
para a censurarem, embora seja conveniente pedir perdão ao pai; enquanto que,
ao confessar a maldade, faz o seu próprio julgamento.
Além disso, ao pedir perdão a criança pode ser influenciada
principalmente pelo desejo de escapar às conseqüências da sua maldade; enquanto
que um pai sensato procurará despertar no filho exatamente a convicção do mal,
e essa convicção só pode conseguir-se em relação com franca confissão da falta
relacionada com o julgamento de si próprio.
Assim é também na maneira de Deus proceder para com os Seus
filhos, quando eles procedem mal. Tudo tem de ser exposto completamente e
julgado pela pessoa. Ele quer fazer-nos recear não só as conseqüências do
pecado — que são inexprimíveis — mas detestar também o próprio mal, por causa
da sua hediondez aos Seus olhos. Se fosse possível, quando cometemos pecado,
sermos perdoados simplesmente, porque pedimos perdão, a nossa compreensão do
pecado e atitude perante ele não seriam tão intensas; e, como conseqüência, a
nossa apreciação da comunhão com que somos abençoados não seria tão elevada. O
efeito moral de tudo isto sobre o caráter da nossa constituição espiritual e a
natureza da vida prática deve ser claro para todo o crente experimentado.
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