sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Distinção entre "pecado na carne" e "pecado na consciência"



É da máxima importância fazer distinção entre pecado na carne e pecado na consciência. Se confundirmos os dois, as nossas almas serão necessariamente transtornadas e o nosso culto será manchado. Um exame atento de 1 Jo 1:8-10 lançará muita luz sobre este assunto, cuja compreensão é tão essencial para a devida apreciação de toda a doutrina do sacrifício pacífico e principalmente do ponto nele a que chegamos agora. Ninguém terá uma noção tão exata do pecado no íntimo como o homem que anda na luz. "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós". No versículo precedente lemos que "... o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado". Aqui a distinção entre o pecado em nós e o pecado sobre nós está claramente estabelecida. Dizer que o crente tem pecado sobre si, na presença de Deus, é pôr em dúvida a eficácia purificadora do sangue de Jesus e negar a verdade divina a esse respeito. Se o sangue de Jesus pode purificar perfeitamente, então a consciência do crente está perfeitamente purificada. É assim que a Palavra de Deus põe a questão; e nós devemos sempre recordar que é de Deus mesmo que temos de aprender qual é, aos seus olhos, a verdadeira condição do crente.

Estamos mais dispostos a dizer a Deus o que somos em nós mesmos do que permitir que Deus nos diga o que somos em Cristo. Por outras palavras, estamos mais ocupados com a faculdade de perceber do que coma revelação que Deus nos dá de Si mesmo. Deus fala-nos baseado no que Ele é em Si mesmo e no que cumpriu em Cristo. Tal é a natureza e o caráter da Sua revelação, da qual a fé toma posse e assim enche a alma de perfeita paz. A revelação de Deus é uma coisa; a minha percepção é outra muito diferente.

Porém a mesma palavra que nos diz que não temos pecado sobre nós, diz-nos, com igual clareza e poder, que temos pecado em nós. "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós". Todo aquele que tem a "verdade" em si também saberá que tem pecado "em si"; pois a verdade revela todas as coisas como são. Que devemos, então, fazer? É nosso privilégio andar de tal maneira no poder da nova natureza, que o "pecado", que habita em nós, não possa manifestar-se na forma de "pecados". A posição do cristão é de vitória e liberdade. Ele é libertado não só da pena do pecado, mas também do pecado como princípio dominante na sua vida. "Sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, afim de que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto, está justificado do pecado... não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas concupiscências... porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça" (Rm 6:6-14). O pecado está ali em todo o seu aviltamento; porém o crente está "morto para ele". Como? Morreu em Cristo. Por natureza estava morto em pecado. Pela graça está morto para o pecado. Que direito pode alguém ter sobre um morto? Nenhum. Cristo "morreu de uma vez para o pecado", e o crente morreu n'Ele. "Ora, se já morremos com Cristo, cremos que tam¬bém com ele viveremos; sabendo que havendo, Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele. Pois, quanto a ter morrido, de uma vez morreu para o pecado, mas, quanto a viver, vive para Deus". Qual é o resultado disto, em relação aos crentes? "Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rm 6:8-11). Tal é a posição inalterável do crente diante de Deus! Por isso é seu alto privilégio gozar liberdade do domínio do pecado sobre si, embora o pecado habite em si.
(extraído de C.H.Mackintosh - estudos sobre o Livro de Levítico)

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