Em 1736, um grupo de morávios estava viajando num navio com destino à
América. Dois jovens ingleses, missionários anglicanos, estavam no mesmo navio.
Sobreveio sobre eles um terrível temporal e era iminente um naufrágio. Leiamos
o que um dos jovens, John Wesley escreveu no seu diário a respeito desse
acontecimento:
“Às sete horas fui
procurar os morávios. Eu havia observado há muito a profunda seriedade do seu
comportamento. Davam provas incessantes da sua verdadeira humildade em fazer
aquelas tarefas servis para os demais passageiros que nenhum de nós suportaria;
eles procuravam nos servir dessa forma e rejeitavam qualquer remuneração,
dizendo que era bom para os seus corações orgulhosos e que o seu querido
Salvador havia feito muito mais que isso por eles.
Cada dia que passava
lhes dava oportunidade de demonstrar uma meiguice que nenhuma injúria poderia
desafiar. Se alguém os empurrasse, batesse ou jogasse no chão, eles se
levantavam e saíam; mas nunca se ouviu qualquer queixa ou resposta nas suas
bocas. Agora se apresentaria uma oportunidade de ver se eles eram isentos do
espírito de medo da mesma forma que o eram do espírito de orgulho, ira e
vingança.
No meio do salmo com
que iniciaram a sua reunião, o mar se ergueu, despedaçou a vela mestra, inundou
o navio e as águas vieram jorrando sobre o convés como se um grande abismo
estivesse nos engolindo. Irromperam-se terríveis gritos e uivos entre nós. Os
morávios, porém continuavam a cantar tranqüilamente.
Perguntei para um
deles depois: “Você não estava com medo? Ele respondeu: “Graças a Deus, não.”
Perguntei ainda: “Mas não estavam amedrontadas as mulheres e crianças?”Ele
respondeu brandamente: “Não, nossas mulheres e crianças não têm medo da morte.”
Quando ele voltou à Inglaterra, escreveu:
Eu fui à América para converter os índios; mas quem há de me converter?
Quem é que me libertará deste coração mau de incredulidade? Tenho uma religião
“de tempo bom”. Sei falar bem; sim, e tenho confiança em mim mesmo quando não
há perigo ao meu lado; mas venha a morte me enfrentar e meu espírito já se
perturba. Nem posso dizer: “O morrer é lucro!”
Em Londres, Wesley procurou o conselho de um missionário morávio, Peter
Bohler, e logo após, converteu-se. Em menos de três semanas, ele estava
viajando para a Alemanha para conhecer o Conde Zinzendorf e passar um período
de tempo em Herrnhut.

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