avivamento Morárvio continuação...
INCENTIVO PARA EVANGELIZAÇÃO
Os quatro anos seguintes foram tempos de avivamento constante: A
vigilância cuidadosa mantida pelos presbíteros e superintendentes, o tratamento
fiel de almas individuais de acordo com suas necessidades pessoais, a
manutenção zelosa do Espírito de amor fraternal, a contínua vigilância em
oração, fizeram das reuniões dos irmãos tempos de grande alegria e benção. Eram
tempos de preparação para a obra de evangelização mundial que estava para
iniciar.
O bispo Hasse escreveu o seguinte:
“Houve já em toda a história da igreja alguma
reunião de oração tão extraordinária como esta que, começando em 1727,
continuou vinte e quatro horas por dia, durante cem anos?”
Oração deste calibre leva à ação. Neste caso, acendeu um desejo
ardente de tornar a salvação de Cristo conhecida aos pagãos. Produziu o início
do movimento missionário atual. Daquela pequena comunidade rural mais de cem
missionários foram enviados num período de vinte e cinco anos.
Este era o fruto de oração e união de coração sem precedentes. Não era
de se admirar os resultados espirituais sem precedentes também que sucederam.
Daquela pequena aldeia de cristãos morávios saíram missionários a todo canto do mundo, levando consigo o fogo do Espírito.
Qual era seu incentivo para o trabalho missionário no exterior? Embora
sempre reconhecessem a autoridade suprema da Grande Comissão (Mt 28:19), os irmãos morávios
sempre enfatizaram como seu maior incentivo a verdade inspiradora encontrada em
Isaías 53:3-12; fazendo assim do sofrimento do Senhor o impulso e fonte de toda
a sua atividade. Desta profecia tiraram seu “brado da guerra” missionário: “Conquistar para o Cordeiro
que foi morto a recompensa dos Seus sofrimentos.”
Eles
sentiam que deviam compensar o Senhor de alguma maneira pelos terríveis
sofrimentos que suportou quando efetuou a salvação deles. A única maneira de retribuí-Lo é
trazer-lhe almas. Quando trazemos-Lhe as almas perdidas, é a recompensa ou
fruto do penoso trabalho da sua alma (Is 53:11).
Testemunho:
Dois jovens cristãos morávios ouviram falar que
numa das ilhas das Índias Ocidentais havia um ateu, um inglês, que mantinha ali
entre dois e três mil homens como escravos. E ele dizia:
“Nesta ilha, nunca haverá um pregador, nem um pastor. Se por acaso um navio
naufragar aqui e houver nele um religioso, podemos até deixar que venha para
cá, mas o manteremos numa casa separada até que ele possa ir embora. Entretanto
nunca vamos permitir que ele fale de Deus a nenhum de nós. Não quero mais saber
dessas besteiras.”
Assim, naquela ilha do Atlântico, estavam três mil escravos, trazidos das
selvas da África. Ali eles iriam viver e morrer, sem nunca ouvir falar de
Cristo. E aqueles dois jovens morávios, com vinte e poucos anos, ouviram essa
notícia. Então
eles se venderam como escravos àquele fazendeiro britânico. Com o dinheiro que
receberam, puderam comprar a passagem, pois o homem só pagava aquele mesmo
valor por qualquer escravo e não providenciava o traslado para a ilha. No dia em que iam
partir, os irmãos de sua comunidade vieram de Herrenhut até o porto para se
despedirem deles. Como
os jovens haviam se vendido como escravos para o resto da vida (e não apenas
para um período de quatro anos), nunca mais retornariam à sua terra. É que
assim, sendo escravos, poderiam viver como crentes ali onde aqueles outros se
encontravam. Quando o navio, levado pela maré, começou a se afastar do cais, em
Hamburgo, entrando nas águas do mar do Norte, os dois iam nele. Seus familiares
choravam, pois sabiam que nunca mais iriam vê-los. E muitos deles não entendiam
por que os dois jovens estavam partindo assim. Até questionavam se aquilo era
mesmo sensato. À medida que a distância ia aumentando, as casas da beira do
cais iam sumindo da vista e os jovens percebiam a separação crescendo. Então um
deles passou o braço pelo do colega, ergueu o outro braço e gritou:
“Que o Cordeiro que foi morto receba a recompensa de seus sofrimentos!”
Foram as últimas palavras que aqueles irmãos ouviram dos lábios dos jovens.

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