Se
você ler a história de qualquer grande, obra do Espírito Santo encontrará ai
uma história de oração. Oração, no Espírito, foi o segredo de todos os grandes
avivamentos no passado — e será o segredo de todo o poder de avivamento que
vier sobre nós nestes dias.
Aproximadamente há 250 anos um grupo de discípulos rixentos,
contenciosos, discutidores e opiniosos, seguidores de Huss, Lutero, Calvino e
outros reformadores, fugindo das perseguições mortíferas daquela época, achou
asilo em Herrnhut, no patrimônio de um fidalgo abastado, o Conde Zinzendorf,
situado na Alemanha Oriental. Este grupo tornar-se-ia conhecido como os “morávios”
em conseqüência do fato de uma parte deles ter saído da província de Morávia,
na Checoslováquia.
Embora fossem protegidos ali do mundo exterior, quem haveria de
protegê-los das suas próprias paixões religiosas que ameaçavam destruí-los?
Como poderiam se unir em fé e amor esses cristãos contenciosos que acabavam de
achar um esconderijo no patrimônio do Conde Zinzendorf? Aparentemente era uma
tarefa completamente impossível.
Contudo, oraram: No dia 5 de agosto de 1727, alguns desses irmãos
passaram a noite toda em oração. A
oração os levou a elaborar uma Aliança Fraternal a fim de “procurar e enfatizar
os pontos em que concordassem” e não salientar as suas diferenças.
O
amor fraternal e a unidade em Cristo seriam as correntes douradas que os
ligariam uns aos outros. Todos os membros da comunidade
apertaram as mãos uns dos outros e se comprometeram a obedecer aos estatutos da
Aliança. Aquele dia foi o princípio de uma nova vida para eles.
No diário deles está escrito:
“Neste dia o Conde fez
uma aliança com o Senhor. Os irmãos prometeram, um por um, que seriam
verdadeiros seguidores do Salvador. Vontade própria, amor próprio,
desobediência — eles se despediram de tudo isso. Procurariam ser pobres de
espírito; ninguém deveria buscar seu próprio interesse; cada um se entregaria
para ser ensinado pelo Espírito Santo. Pela operação poderosa da graça de Deus,
todos foram não somente convencidos, mas arrastados e dominados”.
Depois de adotarem os estatutos e todos terem se comprometido a uma vida
de obediência e amor, o Espírito de comunhão e oração foi grandemente
fortalecido. Desentendimentos, preconceitos, alienações secretas, eram
confessados e postos de lado. A
oração muitas vezes tinha tanto
poder que aqueles que haviam apenas confessado sua disposição ou aderido da
boca para fora eram convencidos do pecado e compelidos interiormente a mudar de
vida ou a irem embora.
No domingo, 13 de agosto de 1727, mais ou menos ao meio-dia, numa
reunião onde se celebrava a ceia do Senhor, o poder e a bênção de Deus vieram
de forma tão poderosa sobre o grupo inteiro que tanto o pastor como o povo
caíram juntos no pó diante de Deus e “nesse estado de mente continuaram até a
meia-noite, tomados em oração e cântico, choro e súplicas”.
O
Senhor Jesus lhes apareceu como Cordeiro… levado ao matadouro; traspassado
pelas suas transgressões e moído pelas suas iniqüidades (Is 53:7,5). Na
presença divina do seu ensangüentado e expirante Senhor, eles se sentiam
inundados na consciência do seu pecado e da graça do Senhor ainda mais
abundante. Suas controvérsias e rixas foram silenciadas; suas paixões e orgulho
foram crucificados — enquanto fitavam atentamente as agonias do seu “Deus
expirante”.
A oração os uniu. A oração trouxe-lhes um novo derramamento do Espírito
Santo; agora veremos como estas bênçãos, por sua vez, levavam-nos a uma vida
mais profunda de oração:
Depois daquele dia destacado de bênção, o dia 13 de agosto de 1727, em
que o Espírito de graça e súplicas havia sido derramado sobre a congregação em
Herrnhut, surgiu o pensamento em alguns
irmãos e irmãs de que seria bom separar horas determinadas para o propósito de
oração, tempos em que todos pudessem ser relembrados do seu grande valor e
incitados pelas promessas que acompanham a oração fervorosa a derramar os seus
corações diante do Senhor.
Além disso, consideraram importante que, assim como nos dias da Velha
Aliança nunca se permitiu que o fogo sagrado se apagasse no altar (Lv 6:12,
13), da mesma forma numa congregação que é o templo do Deus vivo, na qual Ele
tem Seu altar e Seu fogo, a intercessão dos Seus santos deverá subir
incessantemente a Ele como um incenso santo (1 Co 3:16; 1 Ts 5:17; Sl 141:2; Lc
18:7; Ap 8:3,4).
No dia 26 de agosto, vinte e quatro irmãos e o mesmo número de irmãs se
reuniram e fizeram
entre si uma aliança de continuar em oração a partir da meia-noite até na outra
meia-noite, para isto repartindo as vinte e quatro horas do dia por sorte entre
eles.
No dia 27 de agosto, este novo regulamento entrou em vigor. Outros foram
acrescentados a esse número de intercessores, passando a contar com 77 pessoas,
e até mesmo as crianças iniciaram um plano semelhante a esse entre elas. Os
intercessores tinham uma reunião semanal na qual se lhes fazia uma lista
daquelas coisas que deveriam considerar como assuntos especiais para a oração e
para levar constantemente diante do Senhor.
As crianças todas sentiam um impulso sobremodo forte para a oração, e
era impossível ouvir suas súplicas infantis sem ser profundamente comovido e
tocado: Uma testemunha ocular diz:
“Não posso explicar a causa do grande
despertamento das crianças em Herrnhut de outra maneira que não seja um
maravilhoso derramamento do Espírito de Deus sobre a congregação reunida
naquela ocasião. O sopro do Espírito atingia naquele tempo, jovens e velhos
igualmente”.
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