CARACTERÍSTICAS DOS MORÁVIOS
E os seguidores que Deus havia dado a Zinzendorf? O que havia neles que
os capacitava a tomarem a liderança das igrejas da Reforma? Em primeiro lugar, havia aquele
desprendimento e desligamento do mundo e das suas esperanças, o poder de
perseverança e resistência, a confiança simples em Deus que a aflição e
perseguição são destinadas a produzir. Esses homens eram literalmente
estrangeiros e peregrinos na terra. Eram imbuídos do pensamento e Espírito de
sacrifício. Haviam aprendido a suportar dureza e dificuldades e a olhar para
Deus em cada problema.
Em cada detalhe das suas vidas — no negócio, no lazer, no serviço
cristão, nos deveres civis — tomavam
o Sermão da Montanha como lâmpada para os seus pés. Consideravam o servir a Deus como
o único motivo da vida e faziam todas as demais coisas ocuparem um plano
de segunda importância. Seus ministros e presbíteros deveriam supervisionar o
rebanho para averiguar se todos estavam realmente vivendo para a
glória de Deus. Todos deveriam formar uma única irmandade, auxiliando e encorajando-se
mutuamente numa vida sossegada e piedosa.
No entanto havia algo mais que isso que emprestava à comunhão desses
irmãos seu poder tão maravilhoso. Era a intensidade da sua devoção e dedicação
coletiva e individual a Jesus Cristo, como Cordeiro de Deus que os comprara com
o Seu sangue.
Toda a sua correção uns dos outros e a sua confissão voluntária do
pecado com o abandono do mesmo, vieram dessa fé no Cristo vivo, através do qual
acharam no seu coração a paz de Deus e a libertação do poder do pecado.
Essa mesma fé os levava a aceitar, e a zelosamente guardar, sua posição
de pobres pecadores, salvos pela Sua graça, dia a dia. Essa fé, cultivada e
fortalecida diariamente pela comunhão na palavra, no cântico e na oração,
transformou-se no alvo das suas vidas. Essa fé os enchia com tanto gozo que
seus corações regozijavam no meio das maiores dificuldades, na certeza
triunfante de que seu Jesus, o Cordeiro que morrera por eles, e que agora
estava amando-os, salvando-os e guardando-os, minuto por minuto, poderia também
conquistar o coração mais endurecido e estava disposto a abençoar até mesmo o
mais vir pecador.
Em 1741 ocorreu algo que completou a organização da Igreja dos Irmãos e
que selou a sua característica central — a devoção ao Senhor Jesus. Leonardo
Dober havia sido por alguns anos o principal presbítero da igreja. Ele e alguns
outros sentiam que seus dons peculiares o capacitavam mais para outro tipo de
ministério.
No entanto, à medida que os irmãos do sínodo olhavam em redor, sentiam
que seria difícil em extremo encontrar uma pessoa capaz de tomar o seu lugar.
No mesmo instante veio o pensamento a muitos que poderiam pedir ao Salvador
para ser o Presbítero Principal da sua pequenina igreja, e como resposta à
oração, receberam a confiança de que Ele aceitara o cargo.
Seu único desejo era que Ele fizesse tudo que o presbítero principal
fazia até aquela data — que Ele os tomasse como a Sua propriedade peculiar, que
Ele Se preocupasse com cada membro individualmente, e cuidasse de todas as suas
necessidades. Prometeram amá-Lo e honrá-Lo, dar-Lhe a confiança dos seus
corações, e como crianças, ser guiados pela Sua mente e vontade.
Era uma nova e aberta confissão do lugar que sempre haviam desejado que
Cristo ocupasse, não só na sua teologia e vidas pessoais, mas especialmente na
Sua igreja. A igreja havia chegado agora a maioridade.
CONCLUSÃO
A história da igreja dos morávios foi contada como um exemplo. Nos
primeiros vinte anos da sua existência ela realmente enviou maior número de
missionários que toda a Igreja Protestante no mesmo período. Ela somente, entre
todas as igrejas, procurou realmente viver a verdade: “que congregar a Cristo
as almas pelas quais Ele morreu para salvar é o único objetivo pela qual a
Igreja existe”. Ela somente procurou ensinar e treinar cada um dos seus membros
a considerar como seu primeiro dever para com Aquele que os amou: doar a sua
vida para torná-Lo conhecido a outros.
Podemos identificar quatro princípios básicos ensinados pelo Espírito
Santo nesta época da Sua grande operação:
1.
Que a igreja existe para estender o Reino de Deus em toda a terra.
2.
Que cada membro deve ser treinado e preparado para participar deste propósito
glorioso.
3.
Que a experiência íntima do amor de Cristo é o poder que capacita para este
fim.
4.
Que a oração é o segredo, a fonte, de tudo isto.
A “graça total” do nosso Senhor Jesus Cristo foi transmitida aos irmãos
morávios através de uma revelação do sangue do expirante Cordeiro de Deus. O
resultado foi o fogo do Espírito Santo, incendiando as suas vidas numa
“dedicação total” para a evangelização do mundo.
Oração
organizada, intensiva e perseverante trará hoje os mesmos resultados que trouxe
naquela época.
Que o Espírito Santo,
nestes dias de restauração em que estamos vivendo, faça-nos arder de amor e
paixão pelo Senhor Jesus, e transforme-nos numa igreja gloriosa que O manifeste
plenamente; e que assim os pecadores se convertam e se unam a esta comunhão de
amor de Deus Pai que temos no Seu Filho Jesus Cristo.

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