At
2:42 e perseveravam na doutrina dos
apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.
Esses são os quatro pilares da vida prática da Igreja.
O partir do pão é tão importante quanto a doutrina dos
apóstolos, a comunhão e a oração.
Porque é tão importante o partir do pão?
Desde o princípio da
Igreja o partir do pão foi uma prática habitual. Todos os dias eles partiam o
pão de casa em casa. At 2:46 E, perseverando unânimes todos os dias no
templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração,
Obs: A igreja em
Jerusalém cresceu rápido e não tinha como reunir todos os irmãos de uma só vez
no mesmo lugar, logo reuniam grupos de casa em casa.
Havia na consciência dos irmãos um reconhecimento da
importância de partir o pão todas as vezes que reuniam.
Mais a frente com os gentios, a ceia passou a ser celebrada
apenas no primeiro dia da semana.
At
20:7 No primeiro dia da semana,
tendo-nos reunido a fim de partir o pão, Paulo, que havia de sair no dia
seguinte, falava com eles, e prolongou o seu discurso até a meia-noite.
No século II e III houve grande discussão se o partir do pão
deveria ser todos os dias ou apenas uma vez por semana, por causa dessa
diferença entre At 2:46 e At 20:7 e em um concílio a Igreja decidiu que o
partir do pão deveria ser diariamente e assim permaneceu até a reforma.
A crença do Romanismo é que o sacerdote tinha o poder de
transformar o pão e vinho em carne e sangue durante a missa, e que essa crença
mantinha as pessoas cativas à missa.
Por isso na reforma a ceia perdeu a importância na vida e
prática da Igreja. Nos escritos tanto Lutero como Calvino reconheciam a
importância das ceia nas escrituras. Calvino por exemplo, dizia que apesar da
importância do partir o pão, para retirar a mentalidade do Romanismo decidiu
que a ceia só devia ser celebrada uma vez por ano. Naquele momento histórico
para retirar o romanismo da mente das pessoas a ceia ficou em um lugar
secundário, mas com o tempo isso virou tradição e hoje perdemos o sentido da
ceia.
O grande perigo é que a ceia pode se tornar em um ritual.
Fazemos porque está escrito sem entender o significado.
O Senhor Jesus nunca disse nada sobre como deveria funcionar
a reunião da Igreja. Não existe nenhuma explicação, com exceção de uma única
coisa: A ceia.
Lc
22:19 E tomando pão, e havendo dado
graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós;
fazei isto em memória de mim.
1Co
11:23-26 Porque eu recebi do Senhor o
que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou
pão; (24) e, havendo dado graças, o partiu e disse:
Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. (25)
Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este
cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes,
em memória de mim. (26) Porque todas as vezes que comerdes deste pão
e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha.
A reunião cristã se originou na ceia do Senhor.
O protótipo da Igreja era Jesus reunido com os seus
discípulos. Cristo era fisicamente o centro da reunião. Todos que estavam ali,
estavam por causa dEle, pelo chamado dEle, para estar com ele, tudo girava em
torno da pessoa dEle.
Após a sua ascensão ele não mais esteve presente
fisicamente.
Como podemos agora na ausência física dele garantir que Ele
continue sendo o centro da reunião? Que nada tome o seu lugar, nenhum outro
nome, nenhuma outra coisa, que tudo gire ao redor dEle?
O pão e o vinho se tornaram o símbolo do corpo e sangue de
Cristo, pela palavra do Senhor. É o Senhor mesmo, Símbolos dEle. Isso é um
sacramento um símbolo que representa uma realidade.
Em João 6 temos uma profunda exposição do seu sangue e carne,
do significado da ceia.
Jo
6:26-58 Respondeu-lhes Jesus: Em
verdade, em verdade vos digo que me buscais, não porque vistes sinais, mas
porque comestes do pão e vos saciastes.
(27) Trabalhai, não pela comida
que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do
homem vos dará; pois neste, Deus, o Pai, imprimiu o seu selo. (28)
Perguntaram-lhe, pois: Que havemos de fazer para praticarmos as obras de
Deus? (29) Jesus lhes respondeu: A obra de Deus é esta:
Que creiais naquele que ele enviou.
(30) Perguntaram-lhe, então: Que
sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos e te creiamos? Que operas tu? (31)
Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Do céu
deu-lhes pão a comer. (32) Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade
vos digo: Não foi Moisés que vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o
verdadeiro pão do céu. (33) Porque o pão de Deus é aquele que desce do
céu e dá vida ao mundo. (34) Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre
desse pão. (35) Declarou-lhes Jesus. Eu sou o pão da vida;
aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais tará
sede. (36) Mas como já vos disse, vós me tendes visto, e
contudo não credes. (37) Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que
vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.
(38) Porque eu desci do céu, não
para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. (39) E
a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que
me deu, mas que eu o ressuscite no último dia.
(40) Porquanto esta é a vontade
de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e
eu o ressuscitarei no último dia.
(41) Murmuravam, pois, dele os
judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu; (42) e
perguntavam: Não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como,
pois, diz agora: Desci do céu? (43) Respondeu-lhes Jesus: Não murmureis entre
vós. (44) Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me
enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. (45)
Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto
todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim. (46)
Não que alguém tenha visto o Pai, senão aquele que é vindo de Deus; só
ele tem visto o Pai. (47) Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que
crê tem a vida eterna. (48) Eu sou o pão da vida. (49)
Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. (50)
Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. (51)
Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá
para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne. (52)
Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este dar-nos a
sua carne a comer? (53) Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos
digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue,
não tereis vida em vós mesmos. (54) Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. (55)
Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue
verdadeiramente é bebida. (56) Quem come a minha carne e bebe o meu sangue
permanece em mim e eu nele. (57) Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu
vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim. (58)
Este é o pão que desceu do céu; não é como o caso de vossos pais, que
comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.
O pão continua sendo pão
e o vinho continua sendo vinho.
Jo 6:63 O espírito é o que vivifica, a carne para
nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.
O poder está no espírito e na
vida da Palavra. Na ceia do Senhor estamos falando dEle mesmo.
A ceia é composta de duas partes
– a ceia em si e a mesa do Senhor.
A ceia é o conteúdo – o Senhor Jesus. Dele procede a vida,
tudo o que somos e temos.
A mesa do Senhor significa que nos reunimos ao redor do
Senhor Ele é tudo o que nós precisamos. Ele é o nosso fundamento. A nossa vida.
A ceia deve ser um momento da revelação de Cristo em nossos corações.
Quando a ceia se torna um rito com palavras decoradas e
fórmulas, ela perde a vida.
A ceia é a demonstração da comunhão da Igreja com o Senhor.
E não há ceia sem a Igreja ao redor da mesa do Senhor.
Ninguém tinha idéia de como devia ser a reunião cristã
exceto que deveriam fazer a ceia do Senhor. Quando a Igreja celebrava a ceia
eles começavam a fazer memória ao Senhor.
O que é isso?
Começavam a falar do Senhor, de como era estar com Ele. Do
que Ele significava para cada um deles.
O que é uma mesa?
Ali está a comida e todos nós podemos participar da mesma
comida. Todos nós participamos de Cristo, do mesmo Cristo. A mesa é familiar
todos participam da conversa, é o lugar da reunião da família. A mesa é o
símbolo da comunhão da família. Estranhos não são chamados à mesa. Deus nos
chamou para a mesa, pois somos os seus filhos.
A centralidade do Senhor na mesa. Ali ao redor da mesa
nasceram as palavras, cânticos, a adoração.
Ceia não é um rito é uma experiência espiritual, onde
tocamos corporativamente no Senhor e isso nos renova. A ceia é o centro da
reunião do Senhor. É o momento mais sublime da reunião. Deveria ser uma prática
habitual.
Na ceia também celebramos o valor do sangue.
É um ponto de reconciliação, pois celebra o pacto do Senhor,
o valor do seu sangue, fala do perdão, e do poder do sangue que é vigente por
toda a eternidade. Logo, a ceia nos leva a uma vida habitual de arrependimento,
confissão e conserto com Deus.
O caminho de Emaús
Lc
24:12-31 Mas Pedro, levantando-se,
correu ao sepulcro; e, abaixando-se, viu somente os panos de linho; e
retirou-se, admirando consigo o que havia acontecido. (13)
Nesse mesmo dia, iam dois deles para uma aldeia chamada Emaús, que
distava de Jerusalém sessenta estádios;
(14) e iam comentando entre si
tudo aquilo que havia sucedido.
(15) Enquanto assim comentavam e
discutiam, o próprio Jesus se aproximou, e ia com eles; (16)
mas os olhos deles estavam como que fechados, de sorte que não o
reconheceram. (17) Então ele lhes perguntou: Que palavras são
essas que, caminhando, trocais entre vós? Eles então pararam tristes. (18) E
um deles, chamado Cleopas, respondeu-lhe: És tu o único peregrino em Jerusalém
que não soube das coisas que nela têm sucedido nestes dias? (19)
Ao que ele lhes perguntou: Quais? Disseram-lhe: As que dizem respeito a
Jesus, o nazareno, que foi profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus
e de todo o povo. (20) e como os principais sacerdotes e as nossas
autoridades e entregaram para ser condenado à morte, e o crucificaram. (21)
Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de remir Israel; e, além
de tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram. (22)
Verdade é, também, que algumas mulheres do nosso meio nos encheram de
espanto; pois foram de madrugada ao sepulcro
(23) e, não achando o corpo dele
voltaram, declarando que tinham tido uma visão de anjos que diziam estar ele
vivo. (24) Além disso, alguns dos que estavam conosco
foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; a ele,
porém, não o viram. (25) Então ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de
coração para crerdes tudo o que os profetas disseram! (26)
Porventura não importa que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na
sua glória? (27) E, começando por Moisés, e por todos os
profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. (28)
Quando se aproximaram da aldeia para onde iam, ele fez como quem ia para
mais longe. (29) Eles, porém, o constrangeram, dizendo: Fica
conosco; porque é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com
eles. (30) Estando com eles à mesa, tomou o pão e o
abençoou; e, partindo-o, lho dava.
(31) Abriram-se-lhes então os
olhos, e o reconheceram; nisto ele desapareceu de diante deles.
Será que muitas vezes não estamos assim falando de Jesus
como se Ele estivesse ausente? Vemos Deus presente no passado, vemos Deus
presente no futuro, mas ausente no presente. Isso é um sério problema.
Jesus estava ali com eles, mas falavam como se não estivesse
presente até quando?
Quando partiram o pão os seus olhos se abriram e
reconheceram a presença do Senhor. De alguma forma na ceia há um discernimento
da presença do Senhor. Os nossos olhos se abrem.
Em atos 2:42 temos os quatro pilares da prática da Igreja e
a ordem deles é importante para nós. Primeiro é a doutrina dos apóstolos, pois
é o fundamento da comunhão. A comunhão do corpo nos possibilita a reunirmos
dignamente como Igreja ao redor da mesa do Senhor. Por isso, as nossas questões
precisam ser resolvidas antes. Agora como um só corpo, em comunhão com o
Senhor, podemos orar na unidade necessária, como um só homem, um só coração.
1Co
11:27-29 De modo que qualquer que comer
do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do
sangue do Senhor. (28) Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim
coma do pão e beba do cálice. (29) Porque quem come e bebe, come e bebe para sua
própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor.
O problema aqui não são
os pecados escondidos no coração, mas o contexto é não discernir o corpo de
Cristo. “a Igreja como corpo do Senhor” 1Co 11:17-18 Nisto, porém, que vou dizer-vos não vos
louvo; porquanto vos ajuntais, não para melhor, mas para pior. (18) Porque,
antes de tudo, ouço que quando vos ajuntais na igreja há entre vós dissensões;
e em parte o creio.
A ceia do Senhor era praticada na festa do ágape. Em algum
momento dentro do ágape a ceia era celebrada. Durante a festa os irmãos
brigavam, humilhavam, pois alguns traziam segundo as suas posses, mais comida
que o outro. Uma comida mais cara que a do outro, e não repartiam, e depois de
tudo isso pegavam o cálice e o pão como se nada tivesse acontecido. Isso é
tomar a ceia de forma indigna, pois isso não é o comportamento da Igreja do
Senhor. Eles não estão discernindo o “corpo de Cristo”.
A mesa do Senhor é o testemunho mais poderoso da Igreja.
Estamos testemunhando diante do mundo e principados e potestades que o Senhor é
o centro da nossa vida. Testemunhamos a lembrança do acontecimento histórico da
encarnação, morte, e ressurreição de Cristo.
No sentido espiritual a ceia nos coloca em reconciliação com
o Senhor e em reconciliação uns com os outros. Isso é a essência da vida da
Igreja. As riquezas de Cristo são a revelação do próprio Senhor Jesus e isso
acontece ao redor da mesa.
Como?
Através da Igreja cada membro começa a confessar o Senhor. O
que o Senhor significa para ele, como o Senhor se revelou a ele, então ao redor
da mesa pela expressão da Igreja começamos a receber as riquezas de Cristo.
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