Esta série de pensamentos está intimamente relacionada e
plenamente confirmada por dois princípios estabelecidos na "Lei do
sacrifício pacífico".
No versículo 13 do capítulo 7 de Levítico lemos: "Com
os bolos oferecerá pão levedado". E ainda no versículo 20 lemos:
"Porém, se alguma pessoa comer a carne do sacrifício pacífico, que é do
SENHOR, tendo ela sobre si a sua imundícia, aquela pessoa será extirpada dos
seus povos". Aqui temos as duas coisas claramente postas diante de nós, a
saber; o pecado em nós e o pecado sobre nós. O "fermento" era
permitido porque havia pecado na natureza do adorador. A "imundícia"
não era permitida porque não devia haver pecado na consciência do adorador.
Onde há pecado não pode haver comunhão. Deus tem provido expiação pelo sangue
para o pecado que Ele sabe existir em nós. Por isso lemos acerca do pão
levedado no sacrifício pacífico "E de toda oferta oferecerá um deles por
oferta alçada ao SENHOR, que será do sacerdote que espargir o sangue da oferta
pacífica" (versículo 14). Por outras palavras, o "fermento" na natureza do adorador estava perfeitamente expiado pelo "sangue" do
sacrifício. O sacerdote que recebe o pão levedado é quem deve espargir o
sangue. Deus afastou da Sua vista o nosso pecado para sempre. Apesar do pecado
estar em nós, não é objeto para fixar os Seus olhos. Ele vê só o sangue; e
portanto pode andar conosco e consentir ininterrupta comunhão consigo. Porém,
se permitirmos que "o pecado" que está em nós se desenvolva na forma
de "pecados", então, tem de haver confissão, perdão e purificação,
antes de podermos comer outra vez da carne da oferta pacífica. A exclusão do
adorador, por causa de impureza mencionada no cerimonial, corresponde à
suspensão de um crente da comunhão, por causa de pecado por confessar. Intentar
ter comunhão com Deus em nossos pecados implicaria a blasfema insinuação de que
Ele podia andar em companhia do pecado. "Se dissermos que temos comunhão
com ele, e andarmos em trevas, mentimos e não praticamos a verdade" (1 Jo
1:6).
A luz da precedente linha de verdade, podemos finalmente ver
quanto erramos, quando supomos ser um sinal de espiritualidade estarmos
ocupados com os nossos pecados. Poderia o pecado ou os pecados jamais serem o
fundamento ou alimentar a nossa comunhão com Deus? Não, certamente. Já vimos
que, enquanto o pecado é o objetivo que temos perante nós, a comunhão tem de
ser interrompida. A comunhão só pode ser "na luz"; é indubitável que
não há pecado na luz. Na luz só se pode ver o sangue que tirou os nossos pecados
e nos trouxe para perto, e o Advogado que nos mantém perto de Si. O pecado foi
esquecido para sempre naquele lugar onde Deus e o adorador se encontram em
santa comunhão. O que é que constituiu o elemento de comunhão entre o Pai e o
pródigo? Foram os trapos deste? Foram as bolotas da "terra longínqua"?-
De modo nenhum. Não foi nada que o pródigo trouxe consigo. Foi a rica provisão
do amor do Pai—"o bezerro cevado". Assim é com Deus e o verdadeiro
adorador. Alimentam-se em conjunto e elevada comunhão d'Aquele cujo precioso
sangue os associou para sempre nessa luz da qual nenhum pecado pode jamais
acercar-se.
Nem por um instante precisamos de supor que a verdadeira
humildade se mostre ou se promova recordando os nossos pecados ou
lamentando-nos sobre eles. Uma tristeza impura e dolorosa pode assim ser
aumentada; mas a verdadeira humildade salta sempre de uma origem totalmente
diferente.
Quando é que o pródigo mais se humilhou? Quando "caiu
em si", na terra longínqua, ou quando chegou a casa do Pai e se reclinou
no seu seio? Não é evidente que a graça que nos eleva às mais elevadas alturas
de comunhão com Deus, é a única que nos conduz às maiores profundidades de uma
genuína humildade? Sem dúvida. A humildade que tem a sua origem na remoção dos
nossos pecados deve ser sempre mais profunda do que aquela que resulta de os
descobrirmos. A primeira liga-nos com Deus; a última relaciona-nos com o ego. O
meio de se ser verdadeiramente humilde é andar com Deus no conhecimento e poder
do parentesco em que Ele nos colocou. Ele fez-nos Seus filhos; e se andarmos
como tais seremos humildes.
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